Domingo, Abril 13

NewsCamp: as perguntas não param...

Ainda continuo de ressaca do NewsCamp...Porém, vou tentar registrar algumas sementes que foram plantadas por lá para que elas possam germinar por aí. Essa analogia, aliás, fez parte da descrição sobre desconferência, feita por Wagner Fontoura, durante a abertura do evento, que aconteceu no Gafanhoto, no dia 12 de abril.

"Novas e velhas mídias" foi o tema sugerido por Julio Daio Borges, que rolou na sala 1 do NewsCamp e trouxe á tona algumas idéias sobre linguagem, valor do jornalista e integração das redações. Renato Cruz, que só chegou depois do almoço, também já havia proposto trazer tema similar com a tag Crise do Impresso ( vale a pena uma leitura!). A sala estava cheia, mas Giba, Edu Vasques, Gilberto Jr, Gil Giardelli, Cauã, Kaká, Julio, Wagner Fontoura e André Deak foram responsáveis por boa parte da desconferência. Eu também gritei...não consigo ficar quieta, mas preciso!

Deak nos contou sobre a experiência de integrar as redações de TV, rádio, internet e papel na Agência Brasil. Parece que a vivência de todos neste País ainda é comum - mesmo onde se percebe a intenção de transformar o grupo em uma empresa convergente. Quem esteve por lá ainda conta as velhas histórias dos "grupinhos", aqueles típicos que não se olham nem conversam entre si. Imaginem, então, como isso se reflete para o outro lado da cadeia (nossas fontes)!? (sim porque nossos leitores ainda nem sabe quem somos nós e muitos dos repórteres nem têm idéia de quem são eles, os leitores)

São as fontes que nos deixam claro que a integração é um desafio cultural para as empresas que têm tais estratégias. Óbvio que são poucos grupos que estão neste caminho. Minha sensação pessoal é de que Agência Brasil, TV Cultura e Organizações Globo são as empresas de comunicação mais avançadas nesta seara. Entretanto, o risco da fonte lhe dizer que já conversou com seu veículo é grande já que o repórter da TV, ou rádio, ligou antes que o do papel. Ou, vice-versa. Diante disso, eu lhe pergunto: tem dúvida de que são as pessoas que vão precisar mudar para que haja convergência de mídias no jornalismo?

Mas se a cultura ainda emperra a dinâmica interna dos grandes grupos, que têm capacidade de explorar a sinergia entre competências diferentes dentro das redações (seja de papel, online, aúdio ou imagem) há também as dúvidas de como tais redações deveriam ser. Como estimular a integração de pessoas diferentes ( leia-se papel/online; TV/online; rádio/online e ainda o novo online)? Sem contar, óbvio, a rixa interna que existe dentro das próprias redações de papel, ou de Tv e por aí vai....Diante disso, responda-me, se for capaz: As redações devem mesmo ser ainda mais enxutas? Não chegou a hora de buscar o novo modelo de redações? Será que as tags: remota, descentralizada e flexibilidade não representam nada!?

Essa é uma decisão dos donos do dinheiro e dos chefes de redação, que obviamente ainda não sairam dos seus escritórios para descerem até ao NewsCamp. Ou seja, vale a pena reler MediaON para público errado?????? Mas isso realmente não era esperado por nós. E a dúvida que talvez cada um de nós, jornalistas, blogueiros e afins, podemos refletir internamente é: quanto custa o jornalista multimídia?

Essa questão já foi pauta na Agência Brasil com sindicatos, segundo informou Deak, e até agora não há resposta. Eu, particularmente, nessa minha trajetória complicada e pobre de fazer frila e navegar pelos blogs e camps da vida, percebo que o valor da produção do conteúdo está cada vez menor. Isso me preocupa muitooooooo. Não só porque bons jornalistas aceitam receber 500 reais para fazer reportagens especiais, que deveriam valer no mínimo 1,5 mil reais. Mas principalmente porque os frilas que têm perfis multimídia ( blogueiros, programadores, jornalistas/blogueiros, aficcionados por infografia e games) estão ganhando menos que nossos míseros 500 reais. Já ouvi gente dizer que ganhou 300 reais por um tamanho de reportagem que eu ganho 500 a 800 reais. Detalhe: nós fizemos frila para mesmo jornal.

Não estou falando de post pago, que parece que está entre 200 a 300 reais. Há quem diga que estratégias que envolvem post pago pode chegar até 2 mil reais. A questão é: qual é o papel de cada um, seja blogueiro ou jornalista, na hora de aceitar as esmolas? Escrever não é fácil, não é qualquer um que faz e se a gente não se valorizar agora, vamos deixar a história se repetir mais uma vez. Teremos a chance de fazer diferente?

É bom lembrar que outro desafio trazido à tona no NewsCamp foi o perfil do jornalista multimídia. Julio e Deak não têm dúvidas de que as futuras gerações estarão prontas para publicar conteúdo multimídia ( foto, aúdio, vídeo, post, mapa, game e reportagem no papel), mas a galera alerta: os estudantes de agora não sabem nem mesmo o que são blogs. Será que o conhecimento da multimídia é mesmo natural?

Eu não tenho dúvida disso, mas essa é uma resposta pessoal. No NewsCamp o que ganhou força foi uma crítica forte à formação da galera agora. Eu acredito que os estudantes de jornalismo podem até parecer que não estão preparados, mas há exceções e a geração de 10 e 15 anos é completamente diferente da galera que têm entre 18 e 22 anos. Afinal, a velocidade é doentia não só no assimilar novas técnicas, mas principalmente na inovação tecnológica, que torna as ferramentas cada vez mais fáceis para serem usadas por TODOS, inclusive para quem nunca sonhou em mudar o mundo. Imaginem para os jornalistas e os blogueiros, que têm um perfil comum de querer mudar o mundo e ganhar dinheiro.

Houve sim, muitas outras dúvidas e questões jogadas no primeiro bate-papo do NewsCamp. Eu recomendo a leitura do post De Repente para quem quiser acompanhar o que também rolou nesta sala 1, cujo tema era Novas e Velhas Mídias. Na sala 2, o tema foi Assessoria de Imprensa na era Digital.

Atenção: O blog do NewsCamp tentará consolidar tudo que for publicado pela galera que participou desta desconferência. Por isso, caso tenha ido ao NewsCamp, nos mande seu link ou não esqueça de usar a tag para nosso trackback. Fui!

4 comentários:

Julio Daio Borges disse...

Ceila, valeu, mais uma vez, pelo convite, abaixo o link que fiquei de passar ("Por que os jornais estao ferrados", em traducao livre): http://www.alleyinsider.com/2007/08/its-easy-to-say.html

Anônimo disse...

ola querida! parabens pela organizacao da desorganizacao! adorei participar!!!!

Kaká disse...

Ceila!

Eu concordo plenamente com seus últimos parágrafos - se a idéia é mudar o mundo, inovar, melhorar, então nada mais justo e correto do que influenciar da melhor maneira possível a "geração que nasce sabendo" que é essa que tem de 8 à 18 anos... Acho que dando não só uma internet, mas também informação de qualidade, conseguiremos ter pessoas melhores no futuro.

Adorei participar da desconferência, foi uma experiência incrível!

Muitos beijos e parabéns pela excelente organização!

Edu disse...

Ceila, quer minha opinião sincera? Essa galera jovem, altamente conectada e com ótimos conhecimentos de ferramentas, que já produz e edita vídeo na web - o que não é nada fácil - dificilmente vai optar por ser jornalista. Especialmente se continuarem encarando as redes sociais como principal meio de comunicação.