InTheMine é o novo projeto que o gerente de inteligência de mercado da Accenda, consultor de comunicação da Allied Telesyn e ainda freela fixo das áreas de aluminio, mineração, construção, telecom e TI, Nelson Valêncio, acaba de se envolver como jornalista. Formado em jornalismo pela ECA e técnico em computação pela UNICAMP, Nelson se auto-define como um desses bichos esquisitos do jornalismo que faz de tudo um pouco. Ou seja, um profissional ideal para falar na comunidade daqueles que Ralam:
FR: Uma semana é pouco para atuar em todas as áreas? Consegue se organizar para não invadir o sagrado sábado e domingo?
Nelson Valêncio: Quem trabalha continuamente nos finais de semana ou fica "sempre" até mais tarde no escritório, definitivamente está mal organizado. E em tudo. Organizar o tempo é fundamental. Nós, jornalistas, preciso reconhecer: somos péssimos nisso. Somos tão ruins que ouso dizer que somos péçimos com "ç" de tão ruins.
Sabe quando eu aprendi a organizar melhor o meu tempo? Quando era editor da Rede@Telecom e, ao mesmo tempo, precisava dar conta de milhões de outras tarefas na editora. Comprei livros sobre o assunto e usei táticas como imprimir material para leitura no ônibus antes de coletivas, preparar a agenda da semana (na medida do possível), antecipar e definir tudo na reunião de pauta e delegar. Óbvio que hoje eu delego muito para mim mesmo.
Acho que o fato de eu não dirigir (carro) ajuda muito porque leio em todo lugar: metrô, fila de banco, etc. Ter uma pastinha com material de leitura. Organizar-se na sexta para enfrentar a semana ajuda a manter o final de semana livre de trabalho e o seu relacionamento estável (risos). Mas é claro que há exceções. E algumas vezes preciso sim usar o espaço do final de semana. Mas evito ao máximo. Sobre organização de tempo tenho uma dica brilhante: leiam o livro (aliás leiam a coleção inteira) da série Sucesso Profissional, da Publifolha. O livro é curto e focado.
2- Você termina executando tarefas diferentes no decorer do dia ou divide os dias para assumir papéis diferentes?
NV: Eu divido a semana em dias dedicados a cada projeto. Na medida do possível, estabeleço um muro entre cada um deles. Tenho uma enorme vantagem: trabalho com pessoas que reconhecem este espaço e têm cabeças, vamos dizer, renascentistas. E há uma transparência no que faço. Não estou fazendo nada escondido.
Esta divisão dos dias ajuda muito, mas não é total, porque muitas vezes estou sendo acessado fora de dia e hora. Não me incomodo porque existe um grau de flexibilidade que sempre deixo rolar.
Tenho parceiro de trabalho, Rodrigo Santos, e acho que a sinergia que temos e a dedicação dele, jovem repórter, são fundamentais para que tudo dê certo. Em resumo: organização, transparência e tesão.
3- O que significa desafio na sua carreira profissional?
NV: Reinventar-se. Acho que estou me reinventando nestes últimos tempos. Como repórter já estive em lugares muito díspares como no meio da selva amazônica, conversando com garimpeiros, e em Israel, ouvindo o porquê do sucesso daquele país com todas as adversidades que eles têm. Esta experiência que o jornalista tem ajuda muito no formato de trabalho na Accenda, onde a área de inteligência de mercado mistura este feeling e agrega outras características como a forma desafiadora que os engenheiros enfrentam seus projetos.
Trabalho há anos com engenheiros e aprendi a admirar a forma que eles se organizam para se jogar em projetos. Qualquer desafio é um projeto, então mesmo aqueles projetos que dão medo até em Bin Laden são mais um projeto. Roberto Macedo no caderno Profissões & Ocupações do Estadão de alguns meses define bem como os engenheiros ganharam espaço.
Os jornalistas, até pela facilidade de relacionarem-se, precisam usar as armas que outros profissionais já adotaram, com sucesso, há muito tempo. Estamos vivendo (veja o caderno especial de novas mídias recentemente publicado no The Economist) uma mudança radical. Acho desafiador sair da "casca" relativamente fullgas do jornalismo e avançar para outras áreas, mais perigosas, mais densas, mais desafiadoras.
4- Acredita que ter desafios é imprescindível para o crescimento do profissional?
NV: Sempre. Na vida profissional, amorosa, etc. O desafio do jornalista atual, usando esta expressão batida, é reinventar-se. Como?
Tive meu próprio negócio e percebi que não se deixa de ser jornalista se você também têm uma visão mais de business. Isso se reflete na negociação de trabalhos como frilas. Somos pouco profissionais, negociamos mal. E comunicação é um trabalho fundamental, principalmente porque temos muitos, muitos dados, mas pouquíssima informação. E quem edita isso?
Lembro-me da última aula do Bernardo Kucinski, que foi meu professor na USP, em que ele apresentou o decálogo do bom jornalista. Não me lembro bem dos tópicos (exceto o de manter sua panela e não demitir seu colega), mas me ficou esta visão de pragmatismo. Ter iniciativa necessariamente não implica prostituição.
Clique aqui para ver a segunda parte da entrevista.

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