Gustavo Barreto completa quatro anos de frila. A oportunidade de entrevistá-lo surgiu quando descobri o Fazendo Media, que chamou minha atenção pelo editorial, que começa assim:
Quando quatro corporações (Viacom, Disney, AOL Time-Warner e Rupert Murdoch) concentram 90% da produção de jornais, rádios, televisão, teatro e cinema, fica descaracterizada qualquer possibilidade de democracia nos meios de comunicação.
Fiquei ainda mais entusiasmada com trabalho da equipe Fazendo Media, quando descobri que o projeto surgiu de estudantes de jornalismo da Universidade Federal Fluminense, do Rio de Janeiro, e da PUC-RS. Ainda não tive tempo de entrevistar os idealizadores do projeto, mas posso lhes garantir que se trata de autênticos jornalistas que a partir de um sonho dão o melhor de si para colocar notícias atualizadas no tal endereço eletrônico.
O Eduardo Lorea, primeiro entrevistado do Freelancer - O Profissional que Rala, também faz parte da equipe do Fazendo Media, que conta ainda com os seguintes profissionais: Bruno Zornitta, Sheyla Murteira, Thaís Tibiriçá, Leon Corrêa, Marcelo Salles, Fernando Coutinho, Mariana Vidal, Raquel Junia,Ariana Erbon e Carol Morandini.
"Tudo o que fiz foi freela", anuncia Gustavo Barreto no nosso primeiro contato via email. "Atualmente faço freela e assessoria de imprensa para a FIOCRUZ e a Faculdade de Medicina, da UFRJ. Na UFRJ, é "freela fixo" (bolsa). Trabalho também como frila para o Piratininga , no jornal Brasil de Fato e ainda colaboro para o Consciência Net", descreve Gustavo, que tem apenas 23 anos e é estudante da Escola de Comunicação da UFRJ.
Lendo essas frases de Gustavo lembrei de um consultor da Korn Ferry, que durante uma entrevista feita por mim para analisar a trajetória de altos executivos, disse que o profissional que nasceu com vocação para altos cargos começa a se destacar desde cedo: na faculdade ou no primeiro emprego. Não lembro da frase exata do entrevistado de uma das mais importantes consultorias de capital humano do mundo, mas a idéia era o seguinte: o alto executivo jamais se contenta com aquilo que lhe é dado, ele busca inovar sempre. E ele não faz isso com o objetivo de se destacar, faz parte dele.
Por isso, fiz questão de destacar os nomes desses estudantes de jornalismo porque, com certeza, são grandes empreendedores e têm quase tudo para se tornarem os melhores jornalistas do Brasil. Digo "quase tudo" porque para esses jornalistas se destacarem precisarão de pelo menos UMA CHANCE. Alguma editora se habilita?
1-Quando optou em fazer jornalismo como imaginava que seria sua carreira profissional?
Nunca achei que fosse deixar a imprensa alternativa, que era algo que já fazia antes da faculdade. A vida nos leva por caminhos diferentes, mas em cinco anos mantive o trabalho com a imprensa nanica. Apesar de ter sido obrigado a sair desse segmento para procurar estágio e fazer "bicos" e freelas. De certa forma, o que eu imaginava ainda imagino bastante, apesar da natural mudança de perspectivas e da minha nova visão de mundo.
2 - Hoje qual seria o emprego ideal para você?
Sinceramente não sei. Poderia achar "ideal" trabalhar apenas com imprensa alternativa, sem ter de recorrer a empregos de maneira forçada - contra a minha vontade. Mas talvez seria um engano. Honestamente, acho que posso estar enganado. Até porque nunca consegui dar "exclusividade" profissional ao que gosto. E, no entanto, não tenho do que reclamar.
3- O que considera pior na hora de buscar esse emprego ideal?
A ausência de uma empresa com objetivos coerentes e humanistas mínimos. Não conheço nenhuma, mas continuo procurando.
4 - Acredita que é possível conseguir uma vaga de repórter com salário justo sem indicação? Como conseguiria esse emprego se ninguém nunca te indicar á tal vaga?
Não. No serviço público, talvez. Mas é claro que passa muito pelo que as pessoas acham "justo". Eu sempre tive muito pouco e, para mim, "justo" é o suficiente para pagar o aluguel. Outro termo discutível é "indicação". Muitas vezes, a indicação provem da qualidade do repórter. Ninguém joga fora um bom repórter.
Então, o importante é nunca parar. É sempre possível continuar trabalhando, "inventando seu emprego" como diz o Mino Carta - para em algum momento ser indicado. Óbvio que nem sempre dá certo, mas desistir é covardia.
5 - Jornalismo se aprende também na faculdade?
[Risos] É uma ótima pergunta. Gostaria de responder "não", porque essa é de fato a impressão geral na UFRJ, por exemplo, principalmente quando se observa seguidas administrações desastrosas e oportunistas. Mas seria injusto com alguns professores, entende?
Existem ótimos professores, mas honestamente acho que a faculdade está perdendo para o mercado da informação, que está mais preocupado em vender mentes aos patrocinadores do que qualquer outra coisa. A faculdade é o espaço de pesquisa, ensino e extensão, de modo que os alunos deveriam sair de lá para questionar essa realidade, para melhorá-la. Acontece muito pouco, mas há pessoas em atividade para mudar esse quadro.
Para conhecer mais deste jornalista cheio de ideais, Gustavo Barreto ainda volta no Freelancer - O profissional que Rala para segunda parte da entrevista, que será publicada na próxima semana. Segunda parte da entrevista está neste link.
Quarta-feira, Junho 14
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4 comentários:
Ceila, fazia tempo que não passava por aqui. Estive em férias e retornei na correria com fechamento. Ficou show de bola a nova cara do blog. Parabéns. O conteúdo, continua ótimo.
Abraços
Edu
Valeu Du. pena que os comentários continuam cada vez mais raro....
oi, ceila
tá linda a nova cara do blog, hein? e o conteúdo anda cada vez melhor. fora a proposta!
continue assim,
bj da outra profissional que tb rala... rs
oi fran, saudade de vc1 Precisamos combinar novas entrevistas ou desabafos de frila aqui no blog. conto contigo e valeu a clicada e co comentário por aqui
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