É melhor falar de coisas boas, mas também muito mais difícil de escrevê-las. E ainda dizem que é complicado escrever sobre tecnologia. Discordo completamente. Basta entender uma sigla e acionar o automático. Agora, falar de vida, daquelas que deram certo... Ah! isso, sim, é muito complicado.
Neste momento, estou nessa encruzilhada. Como descrever uma jornalista brasileira em Nova York? Seria fácil se fosse Mais Uma em busca do inglês perfeito. Mas não se trata dessas jornalistas. Nem daquelas que vão com a mochila nas costas, sem destino certo nem nada certo. Estou falando de UMA JORNALISTA. Daquelas que são ÚNICAS. E detalhe: que faz exatamente aquilo que muito freela sonha acordado.
Tânia Menai conquista o leitor no primeiro texto. Vai ter coesão lá na pqp. Ela consegue dar todas as informações sem nenhuma aspas, só no relato. Sem ser cansativa, conta a sua história. É isso: uma jornalista que sabe contar histórias reais, informativas e muito bem escritas. Aqui, no Freelancer - o profissional que rala, ela deixa um pouco da sua própria história:
Na sua bibliografia, cita uma frase bastante curiosa "Graças a eles (editores) - e suas esposas – passei a escrever para as revistas Gula, Ícaro, Viaje Bem e Quatro Rodas". Como as esposas dos editores colaboraram para viabilizarem os freelas?
TM: Isso foi no meu primeiro ano em Nova York (normalmente, o primeiro ano é sempre sofrido!). Conheci duas amigas que eram casadas com editores. Uma delas conhecia o editor da Gula, por exemplo, e um fotógrafo que trabalhava pra Viaje Bem e Ícaro. A outra, certa vez, chegou a sentar comigo para me ajudar a escrever uma pauta. Essas coisas a gente não esquece. Mas o resto, é com você. Uma coisa é aproveitar as oportunidades. A outra, é manter aquilo que você conquistou. É aí que mora o perigo.
2- Apesar do portfólio imenso em publicações brasileiras de peso, já teve vontade de frilar para algum editorial que não obteve retorno?
TM: Que eu me lembre não. Hoje, muita gente me procura, e também já publiquei matérias em inglês - e isso é muito legal. Mas já aconteceu de eu oferecer uma entrevista pronta para um editor com quem eu nunca tinha trabalhado e ele não retornou meu e-mail. Nem mesmo para dizer "não, obrigado". Independente de o editor querer ou não o seu trabalho, não responder a uma mensagem, para mim, já faz com que eu não queira trabalhar com a pessoa.
O pilar desse trabalho é o relacionamento com o seu editor. Você tem que confiar nele e ele em você. Nos EUA, quem não responde e-mails é visto como profissional meia-boca. Educação vem de casa, e não da redação!
Uma vez, conheci uma editora tão despreparada, que eu não tinha paciência nem de responder às perguntas dela! Também já deixei de trabalhar para uma revista porque a secretária não responde e-mails. Ou seja, você entrega a matéria, e não recebe seu pagamento porque a secretária não se manifesta. Neste caso, tive de apelar para a diretora de redação. É uma pena. Conheço gente que teve o mesmo problema, mas a tal secretária continua lá. Dá até vontade de citar o nome dela. Começa com M! Mas, no geral, amo meus editores, e o pessoal que trabalha no apoio editorial. Me divirto com vários e aprendo muito com eles.
3-"Nunca parei de estudar – fiz cursos que incluem, “Ética e Jornalismo”, “Linguagem de Documentários”, “Direitos Humanos Infantis” e “Principais Obras do Metropolitan Museum of Art”. O que considera primordial na formação acadêmica para um freela no Brasil?
TM: Acho que isso vale mas para qualquer um, independente de ser freela ou não - quem não estuda, quem não se renova, fica para trás. A imprensa brasileira tende a copiar a americana (todo mundo sabe disso).
Mas poucos sabem, que grande parte dos jornalistas americanos cursaram literatura, história, sociologia, economia, antropologia ou direito na faculdade. E só depois fizeram mestrado em jornalismo. E quem não fez, provavelmente já morou fora, e tem alguma experiência única. Sem isso, não dá para passar informação de qualidade para os outros.
PS: Achou pouco? Calma! Tem mais perguntas e respostas só que publico nos próximos posts...
Veja PARTE II - de uma jornalista em Nova York neste link
Quinta-feira, Maio 18
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3 comentários:
Muita boa a entrevista, aguardo a segunda parte! Dá uma olhada na minha resposta no post abaixo, rsrsr.
Estou curiosa!!!! Manda logo a próxima parte da entrevista!
bjs
Meninas, segue a segunda parte da entrevista. Espere que gostem... eu amei!
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