Resolvi descobrir se sou uma exceção nessa seara de freelas por encarar o profissional dessa área, aquele que "rala". Nessa busca, encontrei poucos dispostos a discutir o "sexo" dos freelas. Percebi que o motivo não é saco cheio de filosofar mais essa besteira de profissão. Mas, pasmem, raríssimos leitores, MEDO.
Jornalista freela tem medo de falar a verdade e perder oportunidade. O canal continua aberto pra quem estiver disposto a decifrar o Freelancer - o profissional que rala.
Eduardo Lorea, ainda estudante de jornalismo resolveu abrir o bico sobre a experiência de freelar fora do País. Ele é um dos empreendedores do Fazendo Media, um projeto muito legal que aborda sobre a imprensa.
Não conheço Lorea pessoalmente nem troquei muitas figurinhas com ele ainda, mas pelas respostas via email que recebi do questionário que lhe enviei nesta terça-feira, percebi que gosta de arriscar e tem iniciativa própria, raridade hoje em dia! Bem, ele já estagiou na editoria de Economia do Jornal do Comércio, de Porto Alegre.
Parenteses: [Entre 93 e 94, ouvi dizer muito que do Sul surgiam as melhores safras de jornalistas. Naquela época, nas palestras da PUC, lembro que até resolvi comprar um exemplar do Zero Hora para entender o que era a tal qualidade dos sulistas]
Veja abaixo um pouquinho desse jornalista, que desde janeiro de 2006 tem emprego garantido na Imprensa do Sul, mas antes da carteira assinada, teve alguns dias de vida de frila:
1- Como surgiu a oportunidade de freelar internacionalmente?
Eduardo Lorea: Deixei o estágio do Jornal do Comércio no fim de novembro de 2005, quando tive a garantia de emprego em outro local no início de janeiro de 2006. Fiquei com dezembro livre e decidi, por mim mesmo, viajar. Quando acertei a passagem pra Venezuela, comuniquei a viagem a amigos jornalistas. O Carlos Matsubara - o primeiro a saber da viagem -, do Ambiente JÁ (http://www.ambienteja.com.br/), se interessou de pronto e me encomendou uma reportagem sobre a situação ambiental da Venezuela por conta da indústria petrolífera. O resultado é "O lago de 34 bilhões de dólares", publicado no site.
2- Acredita que a idéia de viajar para exterior e tentar contatar um editor desconhecido para uma pauta pode ser viável? Porque?
EL:Não acho inviável conseguir um frila no exterior com um editor desconhecido, mas com certeza não é fácil. Me parece que o contato prévio é a garantia para quem contrata, da qualidade do material e da idoneidade do repórter. Essa experiência confirmou isso. O Carlos, que já me conhecia, se interessou. Acreditou no meu trabalho e viu a possibilidade de ter um material interessante e idôneo em seu veículo. Mandei e-mails para editores de outros sites e revistas potencialmente interessados, que poderiam querer um relato sobre o "mundo chavista", mas não tive retornos.
3 - Como foi a experiência de freelar como correspondente internacional? A experiência provoca o sonho de se tornar um correspondente internacional de fato ou não?
EL: Animadora. Acho que o correspondente/frila pode produzir dois gêneros de material. O primeiro -- mais comum -- é um relato do que se sente nas ruas e o que a mídia estrangeira diz sobre um determinado tema. Exige capacidade de análise, observação, mas menos fontes.
O gênero menos comum é elaborar uma reportagem semelhante à que realizamos no país de origem, enfim, no nosso dia-a-dia. Exige capacidade de identificar fontes fidedignas em ambiente pouco conhecido, comunicação interpessoal em língua estrangeira, mas menos análise. No meu caso, procurei produzir o segundo gênero, o que demandou um desvio de rota até Maracaibo - capital do petróleo venezuelano - e dois dias de pesquisa, contatos e entrevistas. Feito o trabalho, a satisfação foi muito grande. E, com certeza, alimentou o sonho de ser correspondente.
4 - Acredita que a função de um correspondente internaiconal pode ser executada por um freela? Qual seria o perfil deste freela? Quais os principais atributos necessários?
EL:Creio que sim. O desafio do freela no exterior é produzir material sem comprador e, só então, tentar vendê-lo. A regularidade de bons trabalhos enviados a editores pode despertar o interesse para compras também regulares. E, para não falhar no caso de receber uma encomenda de matéria específica - e com prazo apertado, como sempre -, é fundamental se comunicar bem na língua do país, manter-se informado sobre as questões locais de maior interesse jornalístico internacional e antecipar a busca por contatos com fontes potenciais.
De mim para você
Caro Eduardo, muito obrigado pelo apoio, pelas respostas e pela rapidez. Foi muito legal poder publicar esse nosso contato no meu Blog e espero contar contigo para o Freelancer - o profissional que rala desvendar enfim o perfil desse jornalista que como já disse resolveu ficar com medo de falar a verdade e perder a oportunidade.
PS: IMPERDÍVEL. PROPAGANDA DE MIM PARA VOCÊS. VALE A PENA DAR UMA BISBILHOTADA NO DESABAFO DE MÃE MESMO QUEM AINDA NÃO É PAI NEM MÃE E MUITO MENOS SIMPATIZANTE.
Quarta-feira, Abril 26
Assinar:
Postar comentários (Atom)

3 comentários:
Muito legal a experiência do Eduardo Lorea. O segredo parece ser mesmo cavar as benditas oportunidas, seja em territorio nacional ou internacional. Pode aguardar minha contribuição, eu tardo mas não falho!
Entrei pra ler a entrevista com o Eduardo Lorea, meu colega. Ficou bem legal. Mas surtei neste teu blog e acabei lendo tudo.
Que coisa boa, Carla. Vc também é freela? Se for, me manda um email pra gente colocar um post por aqui: ceilasan@gmail.com
Postar um comentário